A palavra como abrigo
Há coisas que insistem em nos habitar sem pedir licença. Um aperto no peito antes do trabalho. Uma tristeza que aparece no domingo à tarde e não se explica. Uma raiva desproporcional a um comentário pequeno.
A análise não promete apagar essas experiências. Ela oferece algo diferente: um lugar onde elas podem ser ditas, escutadas, e — pouco a pouco — habitar a palavra em vez de habitar o corpo.
Quando encontramos um nome para o que sentíamos, algo se reorganiza. Não porque tenhamos resolvido, mas porque deixamos de estar sós com aquilo. A palavra vira abrigo.
Esse é um dos motivos pelos quais falar, na análise, não é o mesmo que desabafar. Falar é construir. Um pouco por vez, uma sessão de cada vez.
